Um café da manhã chamado saudade

Eu pensei que não era possível sentir saudade de coisas simples. Imaginava que o peso desse sentimento era somente grande e que habitava apenas nas pessoas que perdem algum amigo ou familiar. Achei que só os velhos pudessem se recordar de algum momento da vida e se alimentar dessa saudade com alegria ou com lágrimas nos olhos. Fora isso, antes de escrever Saudade tinha apenas a noção do sentimento sob o meu ponto de vista: pessoas importantes chegam em nossas vidas, fazem morada e, de um dia para o outro, arrumam as malas e vão embora. Sabia que saudade é aquilo que eu sinto até hoje por ter alguns amigos morando longe. Por ter vivenciado um relacionamento a distância.

Tudo com suas dores durante as despedidas e suas alegrias nas chegadas. Mesmo que esses encontros sejam rápidos. Porém, são duradouros na memória.

Partindo dos meus conhecimentos e das teorias das Ciências Humanas, fui buscar personagens que sentem saudades das formas mais diversas possíveis. Encontrei gente que sentia falta da perna para se locomover. Me deparei com uma senhora que gostaria apenas de voltar a andar de bicicleta. E me surpreendi por ela não ter realizado esse sonho a tempo.

No meio desse marzão de sentimentos, vi a saudade nos olhos de dois meninos. Pura, leve e simples. Eles me ensinaram que o melhor da vida é quando as pessoas que a gente mais gosta estão ao nosso lado, nos fazendo companhia e nos dando atenção. Também conversei com pessoas que gostam dos objetos, das roupas e das músicas do passado. Indivíduos que se identificam com uma cultura antiga e fazem uma mistura com os elementos da atualidade. Pessoas que apenas querem viver ao seu modo. À sua forma. Ao seu jeito.

Saudade” retrata histórias de pessoas que sentem falta de algo ou de alguma coisa

Entre tantas histórias e personagens, esbarrei num simples relato que me fez refletir por dias: Carol sentia saudade de comer pizza em sua casa nos sábados à noite. Isso é muito comum. É normal. É coisa do cotidiano. Como ela podia sentir saudade de algo tão simplório?

Fiquei pensativo.

Um mês e meio depois de entrevistar Carol, o meu irmão foi morar em outra cidade. Cerca de 400 km nos separa desde então e eu finalmente fui sentir o que ela sentia. Hoje, toda vez que ele vem passar alguns dias em casa, tomamos café da manhã juntos. Eu, ele e meus pais. Tudo como nos velhos tempos. Sentamos em volta de uma mesa redonda, jogamos conversa fora, jogamos pão para os cachorros, conversamos com o gato. Comemos pão. Eu e ele tomamos leite. Minha mãe, café. Meu pai, café com leite “de garfo e faca”, como diz a minha mãe.

Se eu pudesse, emoldurava essa cena num quadro para colocar na sala de estar.

Eu sinto saudades dessa cena.

Dia 30 de janeiro, dia da saudade.

Rafael Persan Brasil – Inscrição de currículo BBB 13

Alô, alô, alô, alô vocês sabem quem sou eu? Alô, alô, graças a Deus. Eu, pelo quinto dia útil seguido de 2013, estou desempregado oficialmente. Dia 2, dia 3, dia, 4, dia 7 e, agora, dia 8.

Ines-Brasil-BBB13

Achei que quando esse dia chegasse, eu estaria cortando os pulsos, a jugular ou fazendo algo para chamar a atenção daqueles que contratam. Mas não. Tô aqui firme e forte. Quem sabe seja hoje o dia de arrumar um trampo bacana, não é? Poxa, torçam por mim. Todas as crianças do mundo, todos os amiguinhos comunicólogos, todas as pessoas. Eu espero que esse ano eu seja chamado para uma vaga de jornaleiro. Porque de todo o meu coração, não é mole não. Ficar sem emprego depois de formado é algo difícil. Então… Bom dia senhores donos de agências e senhoras donas de redações. Bom dia, senhor Predo Brial. Eu já conheço vocês pelos anúncios de vagas e vocês me conhecem pelo envio de currículos. Graças a Deus eu sempre envio porque ainda tô novo. A vida é assim. Vamô fazendo. Porque Deus disse: faça por onde que te ajudarei. Então, bora fazendo. Vamo dançando, entregando currículo, fazendo networking. Rebolando até o chão – dum dum dum. Então, peço a vocês: Rafael Persan Brasil. Me chamem editores! Aí, eu vou na hora. Não tenho mais nem o que falar: são cinco anos consecutivos de jornalismo. Quatro de faculdade e agora estou a espera de uma vaga. Mas a gente sempre tem que falar. Não vamos nos cansar, não. Vamos sem parar, bonitinho. Não podemos perder a esperança, né não? Me chama! É o meu sonho, glória a Deus e aleluia. É o meu sonho ser empregado. Ui, que delícia. Vou fazer textos, produzir releases, nadar nessa redação gostosa. Ui! Que maravilha. Adoro escrever, adoro fotografar. Um beijo. Me chama que eu vou! Vão ser anos de paz e de alegria e de amor. Dividir tudo com todos nós, amiguinhos, sem ver aquém, porque nós somos um mundo, glória a Deus e amém. (o texto foi censurado a partir deste trecho)

* este texto foi baseado no vídeo de inscrição para o BBB 13 do recente meme da internet: Inês Brasil