P de praia todos os dias

Agenda telefônica atualizada:

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Gargalhada

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Imagem em boa resolução 

Jantar

Karol Conka

Lugar desconhecido

Mochila

Nômade, um desejo

Ovo frito de manhã

Praia todos os dias

Queijo quente

Rafael, mais por mim/menos de mim

Sossego 

Ticket Refeição 

Upgrade 

Vinho

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Xuxa está de volta

What?

Zaralha

O amor de todos os santos

 
Sentir frio, que antes fora um prazer, passou a ser tormento após sentir o sol ardente de Salvador. O calor físico e humano do nordestino encheu o coração frio daquele que já estava acostumado com paredes cinzas e dias chuvosos. A morada em seu ser agora é de gente com melanina acentuada. A pele avermelhada e levemente dourada mostrava que a sua felicidade só se tornava completa quando encontrava o mar pelas manhãs, quando sentia os raios ultravioletas invadir cada poro gelado da sua vida dura. Felicidade era sentir a brisa do vento no rosto misturado com grão de areia da praia. Até o amor relatado na literatura brasileira que vem do povo de lá estava vivo em seus grandes olhos castanhos claros. A paixão pelo moreno alto de sorriso largo, pelo povo de dentes branquíssimos, pelo cabelo encaracolado estava saindo das faíscas do seu olhar. Sentir aquele calor em seu coração parecia ser o sentimento mais puro da vida. Amar os detalhes coloridos do terere da menina era perceber que voltará a ser criança. Os dedos cheios de azeite de dendê e leite de côco eram lambidos sem pudor. O doce muito doce da cocada era saboreado com delicadeza. A vida de subir ladeira e se desviar dos buracos no Rio Vermelho eram mínimas perante a beleza da Bahia de Todos os Santos. A paz, que só conhecia na teoria, talvez seja bem parecida com a calmaria no andar dos passos curtos… E quando menos percebeu, estava correndo pela escada rolante, se irritando com a demora do metrô e sentindo um indescritível prazer ao fechar a porta do banheiro da sua casa. Bem-vindo a São Paulo!