Alerta e-mail indesejado

Sou dessas pessoas que confere no mínimo 5 vezes os destinatários de e-mail e o texto escrito antes de enviar. A mania vem de algumas experiências ruins com a ferramenta e outras trágicas que me contaram por aí.

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Certa vez, uma chefe falou que o fornecedor era bem filho da puta com todo mundo em cópia, inclusive o dono da gráfica. Em cinco minutos, o pior: veio o pedido de desculpas mais dramático e culposo do mundo. Coitada, ela sofreu porque não era dessas que falava da mãe dos outros. Era só um momento de raiva.

Também teve a vez que uma amiga deixou bem claro que não queria mais realizar trabalhos com a professora desorganizada. A educadora também estava em cópia. Ela recebeu as desculpas esfarrapadas, mas sem o constrangimento do responder a todos.

No meu caso, apenas pequenos delitos: troca de pessoas em cópia, respostas meio atravessadas para clientes que sofrem de eterna insatisfação ou apenas envio de arquivo errado, além do clássico segue em anexo sem o dito cujo inserido. Mas é superável! Às vezes rola um GIF da Beyoncé para uma pessoa mais conservadora ou, como no caso do meu namorado, uma animação da Gretchen para vários diretores e superintendentes de uma das maiores universidades do Brasil. Coisa leve e despojada só para quebrar o gelo – claro, ele não viu que os caras estavam na CC.

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Falando em constrangimento, uma outra amiga saiu do armário para o pai via e-mail. Não, ela não apertou nenhum botão, apenas deixou logado o Hotmail no computador do pai. Sem querer. Ele, na intenção de descobrir o que estava acontecendo com a filha, leu uma troca de e-mails entre amigos na qual ela detalhava intimidades sobre gostar de garotas, transar com garotos, descobrir o que é bom e o que é ruim na cama e os primeiros amores. Sim, isso é muito foda porque agora o pai dela sabe que ela transa. E que já experimentou várias coisas.

Por fim, a minha história preferida. Numa tarde qualquer, uma assessora descontente com o trabalho e levemente desequilibrada, recebeu certa demanda. Refação, sabe? Ela, que estava muitíssimo insatisfeita, realizou as alterações com primor e enviou o documento revisado para o cliente. Na cópia, o chefe e todo o time de atendimento; no corpo do e-mail, a seguinte oração: “Olá, fulana. Segue mais um pastel de carne para aprovação. Atenciosamente, ciclana”.

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Sim, isso realmente aconteceu. Não é invenção! Duas semanas depois ela foi despedida, mas para mim, fica todo o respeito pela coragem e pela audácia.

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A carteira de motorista

Quando você completa 18 anos, quer três coisas na vida: entrar na balada, comprar cerveja sem burlar a lei e tirar a carteira de motorista. Então, em meados dos anos 2000, atingi a maioridade e fiquei esperando dos meus pais a grana da habilitação. O que eu recebi? N-A-D-A. Nem ajuda de custo. Porém, sou leonino e me vinguei – veja como mais adiante.

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Olha esse cabelo!!!?!?

Após superar a decepção, juntei o dinheiro, me matriculei na autoescola, fiz a parte teórica e fui para a primeira aula prática. A minha felicidade era tanta que acabou igual barra de chocolate. Em 5 minutos, fui contornar a rotatória, subi na guia e arranhei a lataria. Na quinta aula, deixei o carro morrer na rampa de frente e ele desceu. Numa avenida movimentada. Com vários veículos atrás. Quase bati, mas o meu instrutor puxou o freio de mão na hora. Acidentes acontecem, não é mesmo?

Depois de 15 aulas práticas, 4 extras, parti para a prova.

Coitado de mim. O resultado foi uma reprovação na rampa de frente. Como era bem cedo, não tinham carros na rua, mas havia um caminhão estacionado e eu quase deixei os veículos rasparem. Mas deu tudo certo. Bem, quase tudo!

Com força na peruca e no cabelo que ainda me restava, fiz 2 aulas extras pagas pelo meu pai (início da vingança) e parti para a prova. Muitos não admitem, mas quase todos os meus amigos só passaram na segunda tentativa. Mas eu, que aprendi desde moleque a não ser igual a todo mundo, reprovei na rampa de ré. Pelo menos foi diferente dessa vez.

Terceira prova. Mais duas aulas extras (pagas por quem? Sim, pelo meu pai) e nada. Dessa vez eu não saí nem da baliza e derrubei o cone/poste/vassoura que você usa para marcar a entrada e a saída. Desisti e não quis mais tentar.

Passado quase 9 meses, recebi uma ligação da autoescola informando que tinha apenas 1 mês para realizar a prova, senão o meu contrato caducaria e eu teria que começar tudo do zero. O peso da grana investida doeu e decidi enfrentar esse medo. Tomei maracujina, paguei algumas aulas-extras (dividi com o meu pai o pacote de aulas, olha só que bonzinho) e fui.

Parei na baliza. De novo!

Prestes a me jogar na Dutra, os meus pais discursaram sobre persistência ou algo assim e pagaram algumas outras aulinhas já que alguns amigos, que me ofereceram ajuda, desistiram com medo quando eu perguntava qual era o acelerador e qual era o freio, hahaha.

Motivado e na companhia da minha mãe, fui para a prova. Baliza, check. Rampa de frente, check. Rampa de ré, check. Carteira de habilitação nas mãos após 5 tentativas, check, check, check.

Quantas vezes eu a usei? Nenhuma porque não sou obrigado a passar por situações de constrangimento na vida.