Blue Monday

Sobrevivi. Eu pensei que não poderia ficar sem internet por mais de 1 dia e a vida me deu 4 como amostra de que é possível se desconectar. Mas antes de contar como foi a minha última experiência, peço desculpas a minha mãe porque eu disse “a noite te conto como é o Salar de Uyuni” e fiquei aí umas 80 horas em silêncio. “Não mãe, não é na Bolívia que tem as FARC. Não, eu não vou para a Colômbia agora. Sim, eu tenho vontade mas não é dessa vez. Sim, mãe, a Aninha tá segura mesmo estando na Colômbia”. Enfim, desculpa, mãe.

Cheguei em Uyuni com muitas horas de atraso, lá pelas 6 da manhã. Meio sonado, um cara me abordou na saída da estação oferecendo um tour para o Salar e eu disse sim porque não queria pensar muito. Quem já deu um Google sobre as experiências das pessoas no passeio, sabe que de 10, 8 são furada por “n” motivos. Mas eu pensei “ralei demais para chegar aqui, não há de passar nada”. E, bom… A vida é gentil na maioria das vezes, porém temos o costume de vangloriar os desastres. E a vida foi muito, mas muito gentil comigo. 

No meu grupo, havia um carioca (porque há brasileiro em todos os lugares do mundo), um casal de irmãos espanhóis re buena onda e um casal francês lindo (sobretudo o cara, que nossa, sorrio só de lembrar, rs). Em 5 minutos esperando carregar o carro, nos tornamos melhores amigos, afinal de contas, tenho lua em gêmeos e me apego às pessoas muito rápido. Primeira parada: Cementerio de Trenes. Me senti em Mad Max, inclusive, porque bati com a cabeça em um dos vagões e fiz um galo gigantesco, no qual o nomeei de Ornacia. Depois, Salar de Uyuni.

Quando eu saí do Brasil, tinha apenas uma certeza: posso viajar por 2, 4 ou 8 meses, mas tenho que chegar ao Salar. E para variar a minha reação foi de choro. Chorei feito criança correndo por aquele lugar incrível. Por sorte, havia chovido 1 dia antes e o piso estava com água formando grandes espelhos. De onde você olhava, chão e céu se misturavam no horizonte formando algo mágico aos olhos. Sério, vocês precisam conhecer o Sul da Bolívia porque é um dos lugares mais incríveis do mundo.

No dia seguinte, conheci inúmeras lagunas, locais desérticos, montanhas e um parque ecológico. O dia começou com lhamas, muitas lhamas correndo por lagunas onde foram gravados os 2 Reis Leão – eu sei que é uma animação, mas parecia mesmo à selva onde o pai do Simba diz “mira Simba todo lo que toca la luz es nuestro reino”. Porém só tinha lhama, enfim, era lindo. Então aconteceu algo muito louco: de manhã estava frio, aí fez um sol do caralho, apareceram as nuvens e começou a chover. E do nada: tempestade de neve. Depois parou tudo e a vida seguiu. Parecia que eu estava num dia em São Paulo com 4 estações + neve. A noite, fiquei em um hotel “Mil Estrelas”, como eles costumam dizer. A comida era maravilhosa, a companhia agradável, a altitude fudendo com a minha cabeça e a habitação, bom, imaginei que seria mais perrengue. 

Lembra que eu falei que estava sem internet? Então, depois de ver tanto lugar maravilhoso, parei de tremer e esqueci do celular. Não sei onde eu imaginei que no meio do deserto teria Wi Fi, mas a gente aprende umas coisas óbvias ao longo da vida. No mais, usava o celular apenas para fazer fotos – acho que recentemente publiquei 6 ou 7 direto no Instagram, perdão mundo, rs. E melhor: a bateria estava cheia e olha que estamos falando de um iPhone viciado.

Último dia e eu estava de pé as 4 da manhã para ver os géiseres ao nascer do sol. Mais uma experiência linda e inacreditável. Nunca vi tanto uma paisagem mudar em questão de 1 hora como o Sul da Bolívia. 

Tudo lindo, tudo maravilhoso e eu já estava estranhando as coisas dando muito certo. Mas a vida, a vida prega peças alá Juju Carmona uma hora ou outra. Cheguei à fronteira e entrei na fila para carimbar a saída da Bolívia. Entreguei meu passaporte e o cara começou a folhear. “Cadê seu carimbo de entrada na país?”  “Não tá aí? Deixa eu ver… Aqui ó. Oh ou!”. Eu estava tão atônito na fronteira Argentina-Bolívia, que entrei apenas no guichê de saída da Argentina e passei direto. Como o lugar era bem desorganizado, me esqueci desse pequeno detalhe. “E agora, moço?” “300 bolivianos de entrada, 15 de saída. Próximo”. Me diz: onde eu vou sacar toda essa grana numa fronteira no meio do deserto? Impossível. E quem entra com tudo isso no Chile para te emprestar? Ninguém. E qual foi a minha reação?

( ) ter uma leve dor no estômago, passar mal, suar frio e pensar em chorar

(X) ter uma leve dor no estômago, passar mal, suar frio, pensar em chorar e sair belíssima da salinha como se nada tivesse acontecido e entrar no ônibus do translado

É. Fiquei muito nervoso e sai. Aí conversei com o motorista do translado que, com muito humor, me disse “ninguém precisa desse carimbo, agora me ajuda com as malas já que você deu esse vacilo”. “Dale”. Confesso que até chegar em San Pedro de Atacama, no Chile, fiquei meio tenso, mas seria humilhação demais ser preso na fronteira da Bolívia. Não que eu tenha preconceito, mas eu tenho preconceito sim, rs Poderia ser preso na entrada dos EUA pelo México, cheio de cocaína no cu e fazer a Sol, em América, mas não na saída da Bolívia. Claro, poderia ser uma versão Sul-americana já que tem bastante cocaína saindo da Bolívia, mas né? Vamos fazer direito. 

Passei pela alfândega e entrei no Chile. “Ufa, agora só necessito de uma cerveja para curtir esse lugar lindo”. E qual foi a minha última surpresa: choveu. Choveu no deserto mais árido do mundo e isso só acontece entre 2 ou 3 vezes ao ano. Azar? Considero sorte porque não senti tanto calor e porque fui ao Valle de la Luna e fez um arco-íris lindíssimo. No. Meio. Do. Deserto. O guia me disse que isso é raríssimo e eu estou gostando dessas raridades que a viagem está me proporcionando.

Perfect Ilusion

Eu pensei que nunca chegaria à Bolívia. No final das contas, sabia que tudo isso que estava acontecendo era porque a Argentina não queria que eu fosse embora. Lá a minha vida virou de cabeça para baixo e eu mudei da água para o vinho ou da cerveja para o fernet coca. Tudo que eu vivi e compartilhei um pouquinho aqui com vocês, me fez uma pessoa diferente – aí que clichezera. Sim, bem clichê e brega do jeito que eu gosto. Enfim, vamos aos fatos.

Há 2 dias, uma forte chuva passou pelo Norte da Argentina e as estradas de Jujuy a Purmamarca estavam fechadas. Ninguém ia, ninguém vinha. Eu estava em Purmamarca quando isso aconteceu. Era o meu primeiro dia sem programação fechada: estava hospedado em Tilcara, um povoado pequeno, porém com mais estrutura que os outros ao redor. Sai cedo do hostel, não fazia frio tampouco chovia. Cheguei no terminal e escolhi a cidade da Sierra de 7 Colores que tanto falavam. Entrei no ônibus com um monte de turista e viajante. Meia hora depois, cheguei a Purmamarca junto com a chuva. Tranquilo, encontrei uma cafeteria com Wi Fi e esperei o tempo passar. Quando a chuva deu uma trégua, sai para caminhar e no meio do caminho, mais chuva. Resolvi voltar ao terminal.

Ninguém sai (meu óculos?, rs). Fiquei alocado com um monte de gente. Felizmente, saiu um ônibus 40, 50 minutos depois.

Cheguei em Tilcara e não havia energia elétrica. Não havia luz na Província de Jujuy inteira. Azar? Nada, estava devorando o meu segundo livro em espanhol e não queria mais largar Carrie, de Stephen King. Ela estava se arrumando para ir ao baile e mal sabia o que a aguardava.

A energia voltou tarde e a chuva parou. Estava desejando muito um dia seguinte de sol porque iria conhecer Humahuaca. 

Não fez.

Fui mesmo assim e junto do guia, chorei durante o trajeto porque ele me explicava o que acontecia quando havia chuva. Os alimentos não chegam. A gasolina não chega. A vida das pessoas continua mesmo assim e percebi, mais uma vez, que eu preciso de muito pouco para ser feliz. Tem gente que só precisa de uns legumes e umas verduras e por vezes fica 1 semana sem porque não chega. 

Mas dale, esse texto não é para ser filosófico – mas antes de chegar ao dia de ontem, informo que fez um sol do caralho, que atravessei o Trópico de Capricórnio, e que conheci Humahuaca e a Sierra de 14 Colores (ahá vida, venci de novo e pelo dobro de cores).

12 de janeiro, dia de ir à Bolívia. Levantei cedo, fiz até a barba e sai cedo para o terminal, afinal de contas, depois de 48 horas de chuva tudo iria se normalizar. Me enganei. Não havia ônibus para La Quiaca, que é a cidade que limita Argentina a Bolívia. Sentei no terminal e esperei. Depois de um tempo, parou um ônibus para Humahuaca, que é mais perto de La Quiaca do que Tilcara (eu sei gente, os nomes são difíceis mesmo de guardar). Me fui!

Cheguei pela bandas de lá e adivinhem? Não tinha ônibus para lugar nenhum. Perguntei ao taxista quanto sairia uma corrida até a fronteira. Bom, o preço de um rim no Mercado Livre, porém, não era possível fazer (lembra? não chega gasolina em dias de chuva e a deles estava acabando). Mas a sorte me acompanhava e encontrei uma van que faria o trajeto por um preço camarada. “Com você são 5 pessoas, vamos esperar mais meia hora para encontrarmos mais gente”. “Dale”.

Ah, esqueci de contar uma coisa: eu tinha que estar na Bolívia as 14h30 porque tinha um trem até Uyuni as 15h30 e tinha que cruzar a fronteira – ao som de Crazy in Love, da Queen-B, claro -, fazer os trâmites de imigração, trocar o dinheiro e chegar ao terminal. Eram 11h30.

Antes das 12h, eles disseram que tinha pouca gente e por isso iam almoçar. “Mais tarde a gente volta”. “La re concha de tu madre!”

Sentei no terminal e esperei. Então, chegou uma menina que precisava fazer o mesmo que eu. Oba, uma amiguinha! Lá pelas tantas, um anjo trajado de saruel de moletom (não, não era nem ridículo e nem excitante o traje do rapaz), olhou para mim e perguntou onde eu iria. Eu disse. Ele falou “bora, vão sair agora 2 carros do hostel onde trabalho”.

Vem sorte, vem!

Meia hora depois, “fé em Deus e pé na estrada”. Em 1 hora e meia chego na fronteira, cruzo e está tudo dentro dos conformes. Mas a vida, minha gente, a vida é uma piada. Depois de um tempo de estrada e Johason na vitrola, o carro que saiu antes estava parado. O tanque esquentou e fazia apenas um sol de 37 graus lá fora. Paramos e eu só conseguia pensar:

( ) ¡puta madre! yo no puedo creer

(X) gente dá uma olhada nessas montanhas que lindas e essa estrada, parece que estou em Perfect Ilusion, da Lady Gaga, ou em You and I, nossa, se eu tivesse um chapéu preto ia tirar uma foto maravilhosa pedindo carona, meu deus 

Eu não sei quando e nem como isso aconteceu, mas eu me tornei uma pessoa muito calma durante a viagem. Dificilmente algo me abala ao ponto de eu ter dores no estômago, gastrite – o retorno, ou refluxo ou qualquer coisa do tipo. Sério, só pensava na paisagem. Então, comparti um mate com os novos amigos e estava ensinando umas frases em português para um che – mais 15 minutos e eu estaria ensinando o pajubá.

Nada do carro ficar pronto e eu já estava perguntando para os meninos o que poderia fazer em Potosi, no Centro da Bolívia, já que não iria mais para Uyuni e teria que pegar um ônibus a noite. Estava animado com as igrejas e a parte histórica da cidade, que forneceu ouro para a Espanha por longos anos. Ia mudar de rota? Ia. Ia perder um pouco de dinheiro? Também. Mas tudo bem, as coisas são assim mesmo.

Carro arrumado e vamos. Faltava menos de 1 hora para as 14h30 e ainda faltava um longo caminho. Porém, a vida não é feita só de piadas: quando você chega na Bolívia, o relógio atrasa 1 hora (posso ouvir um amém?). Eu só descobri isso quando faltava 10 minutos para as 15h30, horário da Argentina.

Eba! Vou pra Uyuni hoje! Tudo está tranquilo! Sob controle! A vida é demais! Nossa nem acredito! Será que consigo ir para o Salar amanhã mesmo? Tomara. Meus planos deram certo…

“Senhores passageiros, informamos que os trens para Oruro estão com 2 horas de atraso” (Oruro é o destino final, mas eu desço em Uyuni). O que me restou? Esperar: não 2, mas 4 horas e contemplar que sim, essa é a melhor viagem de férias da minha vida!

É sério.

“Ficar é sempre muito mais difícil que ir”

Já ouvi essa frase algumas vezes, mas nunca havia vivenciado isso durante a minha viagem porque era sempre eu que estava partindo. Do Brasil, sai eufórico e cheio de histórias pré-construídas dentro da minha cachola para viver. Não quis dedicar muito tempo para pensar nos amigos, no namorado, na família, nos cachorros, no gato e nas histórias que ficavam. Afinal de contas, estava pronto para seguir o meu sonho. Até soa meio egoísta, mas eu estava tão feliz por finalmente consegui ir que não me importei muito.

Rolou algumas lágrimas? Um montão. Mas as memórias dos meus últimos dias em São Paulo, Taubaté, Pinda, Tremembé e adjacências são de sorrisos, gargalhadas e abraços cheios de amor e calor. Me senti muito feliz e hashtag gratidão por estar cercado de pessoas incríveis, que segui o meu caminho com muito mais confiança.

Do Uruguai, sai leve e com uma plenitude que jamais havia vivenciado. Eu, que desenvolvi uma gastrite nervosa por causa da ansiedade, estava finalmente desconectado do futuro e ligado somente ao hoje, ao agora. Bem difícil essa tarefa, mas a vida na horta orgânica e no campo me fizeram esse bem.

Em Buenos Aires, eu fiquei. E ficar está sendo muito difícil. Elas, as meninas do meu coração, chegaram de forma despretensiosa, sem muita programação e em um momento em que a saudade havia finalmente feito morada. Foi tão bom recebê-las com os braços abertos no meio da rua, entre malas, caixas de cerveja e sorrisos. Soltei na gravidade os cascos de garrafas e a dor de estar longe por tanto tempo enquanto elas se soltavam das maletas e da distância.

Abraços demorados.

A sensação era de levitação. Meus pés saíram do chão e, ao mesmo tempo, me sentia seguro e em terra firme. Meus alicerces de amizade estavam perto de mim novamente.

Os dias seguiram correndo. Cada olhada no relógio, uma, duas horas a menos. E eu tratei de viver as horas com mais dedicação. Não queria dormir. Não queria trabalhar. Não queria que o tempo passasse. Corremos contra o tempo para os momentos serem inesquecíveis. E foram, claro, porque vocês estavam comigo.

E chegou a hora de dizer até logo. Por sorte ou por azar (ainda não sei), vocês foram partindo uma a uma. A primeira despedida foi de supetão. Não deu tempo de abraços longos porque não queríamos ter tempo para chorar. Você entrou no táxi em direção ao hostel e eu fiquei. Em 5 minutos, peguei um táxi em direção a outro abraço forte. Cheguei no momento em que você partiu. Lembro que uma tristeza muito grande invadiu os meus olhos. Disfarcei.

À noite, outra despedida. De supetão novamente porque a vida tem dessas. Chamei seu uber, você foi se despedir dos outros e eu te esperei em frente ao carro, com um abraço caloroso e a certeza de que em poucos dias a nossa amizade cresceu. E como cresceu! Dessa vez, tinha um acúmulo de lágrimas. Disfarcei de novo.

Mais um dia e eu aguentei firme. Não desabei. Trabalhei à noite toda e te esperei para o café da manhã. Meu cansaço brigou com a vontade de estar mais uns minutos com você. Te abracei com calma e leveza porque você é assim: um oceano sem ondas quando está ao meu lado, um tornado quando te tiram do sério. Foi tão bom te ver de novo que quase peguei o primeiro barco em sua direção.

Disfarcei tanto, mas tanto, que chorei quando menos percebi. No banho. Sozinho. E cantando qualquer canção que a gente canta quando está no chuveiro.

Meu coração se acalmou e concluiu que realmente é muito mais difícil para quem fica. Porém, aquele que fica aqui sabe que em breve volta para lá, onde é o seu lugar: dentro de um abraço apertado ❤

É possível ter amigos héteros?

Eu não convivo com tanto heteressexual na minha vida desde a adolescência. Talvez seja porque quando saímos do armário, nós gays passamos a viver somente em guetos. É perfeitamente comum, pois precisamos nos sentir acolhidos. Não que tenhamos problemas com os héteros – claro, tem hétero chato pra caralho que a gente quer distância, mas não podemos generalizar -, porém é necessário viver em um grupo que nos aceite como somos, sobretudo que nos entenda.

E aqui estou, em outro país, vivendo em um hostel, cercado de pessoas do mundo todo, no qual podemos perceber que existem mais héteros do que gays na sociedade. Oh fuck! Como isso é possível? Sim, demorei muito para me acostumar com essa ideia. Nada como sairmos da nossa zona de conforto e do nosso mundo pintado (amo essa conjugação <3) de arco-íris e rodeado de unicórnios que exalam Carolina Herrera. Só aí você se dá conta de que a vida é outra lá fora e que existe muito mais homofobia e machismo enraizado nas pessoas.

Sabe quando falam da tal desconstrução diária que temos que fazer em nós e nos outros? Então. Imagina executar isso em outro idioma e sem a ajuda de ninguém para reforçar o coro. Além disso, você não pode colocar em prática a filosofia “se me atacar eu vou atacar” porque as coisas não vão funcionar dessa forma. Nem quando você está cercado de amigos gays ou gays friendly isso dá certo, imagina sozinho.

E lá vou eu, devagar e muito sutilmente dizendo que não é porque o cara é viado, ele é menos homem. Não é porque o rapaz bebe moderadamente, ele é bichinha. Não é porque o cara é gay afeminado, ele deixa de ser atraente (I love London boys). Não é porque a menina dança até o chão, ela deve ser desrespeitada. Não é porque a menina é lésbica masculina, ela deixa de ser mulher.

E não é porque a menina bebeu demais e foi transar com um cara que ela acabou de conhecer, ela é uma puta.

Essa última eu não ensinei para ninguém. Fui eu que aprendi. De um homem. Hétero. Sim, as viadas também são machistas e eu peço desculpas a todas as mulheres que um dia eu julguei errado. Se os homens podem beber e transar, por que as garotas não podem fazer o mesmo? É perfeitamente comum você conhecer alguém em uma noite, transar e nunca mais falar com essa pessoa. Isso se chama sexo casual e tanto homens quanto mulheres podem fazer. Não é mesmo, pessoal?

E assim eu vou aprendendo com os héteros do mundo todo. É cada lição singela (leia-se tapa na cara com luvinha de pelica) que aprendo diariamente que vocês não fazem ideia. Hoje em dia, até consigo ouvir alguém dizer que as músicas da Beyoncé são ruins sem voar no pescoço. Também entendo que se um cara puxa papo com você no bar e te oferece uma cerveja ele está apenas sendo legal e não está dando em cima – lição importante para os leoninos. Ah! Estou ouvindo mais rock and roll ultimamente e conhecendo mais sobre as bandas importantes e que fizeram história. Sério, isso é muito valioso para mim que só conheço Pop e MPB.

Outra coisa fundamental: posso contar os meus dilemas diários sobre a vida de um jovem gay na capital para qualquer pessoa próxima que ela vai me escutar. Não são amigos homens que convivem com muitos gays, mas são pessoas. Humanos. Que não diferenciam gênero na sua cabeça quando o assunto é amor, briga, sexo e outras coisas. Isso não é genial? Para mim que viveu 7 ou 8 anos da vida somente com gays, compartilhar sobre qualquer assunto com pessoas muito diferentes de mim e ser compreendido é enriquecedor.

E não, eu não estou falando top ou, como dizem aqui, cheto!

A jardineira e o mar

 

Ela não vive em nenhum lugar que não seja próximo ao mar. E hoje em dia, a sorridente Servina não sabe se viveria sem estar em contato com a terra. De olhos castanhos bem claros e cabelos cacheados, a uruguaia se esconde em tantos agasalhos, abrigos, lenços e tocas. Ela sente muito frio, principamente, nos pés. Meias e mais meias, além de botas longas. Pronto: já podemos começar o dia.

Com muita simpatia, me recebeu com pás, tesouras e outros equipamentos de jardinagem que só sei o nome em espanhol. Cheia de curiosidade, respondi algumas perguntas sobre o Brasil. Papo leve: Maria Rita, cachaça, caipirinha e tudo que há de bom em nosso País. O doce de leite mineiro é melhor, eu disse. Ela rebateu e pediu para eu experimentar o Lapataia. Comprei um pote hoje e que os meus amigos mineiros não me ouçam: gostei mais do daqui. Papo sério: foi golpe? Eu ri e disse que sim. Mas também falei que tem gente que diz que não. Contei tudo da forma mais parcial que consegui… E foi golpe! rs

Servina é formada em secretariado, algo parecido com administração no Brasil. Também cursou história enquanto estava terminando o curso de exatas, mas não aguentou o tranco: largou tudo e foi viver o mundo. Após uma estadia na Bolívia e no Equador, conheceu a permacultura e agora está aqui, todos os dias, compartilhando conhecimento comigo. Além disso, ela me mostra que eu não tenho muito do que reclamar: vem para o trabalho de bicicleta, no vento forte e gelado. Quando não é possível, pega o único ônibus da manhã, que deixa longe daqui. Para voltar? Testa a sorte na estrada pedindo carona. Hoje, sem brincadeira nenhuma, veio de patinete. PA-TI-NE-TE!

A menina de riso singelo e gargalhada engraçada, traz em si muitas respostas para as minhas perguntas. E olha que nem falo tanto, mas de alguma forma, ela responde os questionamentos que me fizeram repetir a mesma história que a dela. E não é que estou me apaixonando pela vida simples, pelo ato de plantar, pela permacultura e pelo mar, aqui, pertinho de mim?

O que o Persan de 3 anos atrás precisava saber

Vamos organizar algumas coisinhas aqui:

  • Os pisos do boxe podem quebrar. Eles levantam, racham e a água acumula fazendo uma pocinha. Tem que trocar e o seu pai não estará em casa para te ajudar;
  • A torneira da pia vai ficar gotejando às vezes e é preciso trocar uma borrachinha. Seu pai, novamente, não estará em casa;
  • Faça amizade com o zelador e seja gentil. Ele será o seu novo pai no quesito “marcenaria, eletricidade e ademais”;
  • As lâmpadas de casa queimam quase que de forma orquestral. Alguns cômodos ficaram no escuro porque almoçar é mais importante do que energia elétrica. Lâmpadas são caras, mas compre-as;
  • O seu estômago vai doer assim que você pisar o pé em SP. Veja essa gastrite aí e não adianta tomar somente remédio; é necessário mudar a alimentação;
  • Café, chocolate, limão, laranja e tudo que você ama causa gastrite. Não seja radical, apenas diminua a quantidade;
  • Não foi à academia? Compense na alimentação durante o dia e não se cobre tanto;
  • A garganta vai fechar do nada e a sinusite vai atacar com frequência. Isso não tem a ver apenas com o tempo seco; é possível que seja estresse;
  • Não esquece do fio dental senão dá gengivite e isso é foda;
  • Pare de se culpar e pare de achar que a sua vida é uma bosta. Segura o seu reggae e vai;
  • Plantas morrem e comida na geladeira estraga. Você não precisa se sentir a pior pessoa do mundo quando isso acontece. Aprenda com os seus erros;
  • A conta bancária vai ficar negativa às vezes. Se isso acontecer sempre, aprenda a mexer no Excel e controle os seus gastos. Preze por uma vida financeira saudável;
  • Empréstimos são necessários na hora do desespero. Pague-os;
  • Infelizmente é preciso cancelar a TV a cabo por conta do preço, mas a NetFlix é sua amigona nos domingos à noite;
  • Faça o seu próprio almoço e aprenda a cozinhar legumes;
  • Coma frutas. Isso é muito importante;
  • Reduza a carne vermelha, diminua a quantidade de álcool e não coma hambúrguer sempre. Seu corpo agradece essas ajudinhas;
  • Já disse pra você não se cobrar tanto? Ótimo, não se cobre tanto;
  • Faça cursos diversos e invista em algum idioma. Nossa, é fundamental aprender um idioma novo;
  • Visite os seus pais no interior mesmo que seja uma missão impossível. Eles sentem a sua falta e você sente a falta deles;
  • Tenha maturidade e saiba escolher o melhor momento para se ter um cachorro ou um gato. Mas tenha porque isso te ajuda nos lances de responsabilidade etc.;
  • Valorize as suas amizades e não cobre a presença das pessoas em seus eventos. Isso é chato, porém, esteja presente na vida dos mais próximos, mesmo que online;
  • Envie uma mensagem dizendo que está com saudade;
  • E ah, muito importante: leia bastante, desencana um pouco do celular e vá aos parques. Isso é muito bom!

De resto, você sobrevive!

Carnaval com catuaba

O carnaval é a melhor época do ano para você acumular histórias, ganhar experiências, vencer desafios, alinhar os chakras e transformar notas de R$ 2 em porres homéricos.

Carnaval 1.jpg

No primeiro ano em que me diverti de verdade eu tinha 17 ou 18 anos e, como bom taubateano que sou, enfrentei o sol escaldante de São Luís do Paraitinga. Que carnaval maravilhoso foi aquele do “Juca Teles, amora em flor, boca do povo são palavras de amor”. Na época, eu tinha dinheiro sobrando, uma latinha de cerveja resolvia o meu problema e eu estava dentro do armário. Logo, só cantar as marchinhas e comer churrasquinho já me fazia feliz.

Antes disso, passava os meus carnavais nos retiros da igreja. Isso não é de todo ruim, pois naquela época fazia sentido estar ali louvando ao senhor. Mas que bom que essa fase acabou, não é? Porque eu sempre fui fã de Axé Music e batuque e precisava desfilar o meu corpinho na rua.

Aí, veio a faculdade, São Luís perdeu a graça e o carnaval se resumia em filmes, brigadeiro e dias em casa descansando. Mentira, eu sempre ia pelo menos um dia para São Luís e lembro da vez que bebi, bebi, bebi e nada me aconteceu. Resolvi tomar um shot de 51 com os meus últimos R$ 2. Fiquei deslocado, me perdi de todo mundo, saltava mais do que a Fabiana Murer (quando bebo eu fico pulando) e achei que haviam roubado o meu celular.

Carnaval 2.jpg

Me formei e com isso veio o desemprego, porém, eu tinha R$ 50 na manga que fizeram a minha vida. Partiu carnaval: garrafa de catuaba e inúmeros pedidos de gelinho para o marinheiro. Pronto, nada mais importava e eu com uma amiga sentamos no meio da ponte durante o bloco para comer um pacote de bolacha (é biscoito?). Depois morri no gramado e quando acordei estava louco por Coca-Cola e Doritos. No fim do pacote, eu fui virar o farelo na boca segurando a latinha de refrigerante e levei alguns segundos para perceber que estava tomando um banho. Foi lindo!

Nos últimos anos o carnaval tem sido em São Paulo, onde é sempre cheio de amor e bebida barata. Mas agora tem adendo: glitter bomb na cara e muito close na avenida.

Carnaval 3

 

Alerta e-mail indesejado

Sou dessas pessoas que confere no mínimo 5 vezes os destinatários de e-mail e o texto escrito antes de enviar. A mania vem de algumas experiências ruins com a ferramenta e outras trágicas que me contaram por aí.

Gatos viciados em computador07

 

Certa vez, uma chefe falou que o fornecedor era bem filho da puta com todo mundo em cópia, inclusive o dono da gráfica. Em cinco minutos, o pior: veio o pedido de desculpas mais dramático e culposo do mundo. Coitada, ela sofreu porque não era dessas que falava da mãe dos outros. Era só um momento de raiva.

Também teve a vez que uma amiga deixou bem claro que não queria mais realizar trabalhos com a professora desorganizada. A educadora também estava em cópia. Ela recebeu as desculpas esfarrapadas, mas sem o constrangimento do responder a todos.

No meu caso, apenas pequenos delitos: troca de pessoas em cópia, respostas meio atravessadas para clientes que sofrem de eterna insatisfação ou apenas envio de arquivo errado, além do clássico segue em anexo sem o dito cujo inserido. Mas é superável! Às vezes rola um GIF da Beyoncé para uma pessoa mais conservadora ou, como no caso do meu namorado, uma animação da Gretchen para vários diretores e superintendentes de uma das maiores universidades do Brasil. Coisa leve e despojada só para quebrar o gelo – claro, ele não viu que os caras estavam na CC.

tumblr_inline_nkncwhGAQe1s3cc8n

Falando em constrangimento, uma outra amiga saiu do armário para o pai via e-mail. Não, ela não apertou nenhum botão, apenas deixou logado o Hotmail no computador do pai. Sem querer. Ele, na intenção de descobrir o que estava acontecendo com a filha, leu uma troca de e-mails entre amigos na qual ela detalhava intimidades sobre gostar de garotas, transar com garotos, descobrir o que é bom e o que é ruim na cama e os primeiros amores. Sim, isso é muito foda porque agora o pai dela sabe que ela transa. E que já experimentou várias coisas.

Por fim, a minha história preferida. Numa tarde qualquer, uma assessora descontente com o trabalho e levemente desequilibrada, recebeu certa demanda. Refação, sabe? Ela, que estava muitíssimo insatisfeita, realizou as alterações com primor e enviou o documento revisado para o cliente. Na cópia, o chefe e todo o time de atendimento; no corpo do e-mail, a seguinte oração: “Olá, fulana. Segue mais um pastel de carne para aprovação. Atenciosamente, ciclana”.

escrevendo

Sim, isso realmente aconteceu. Não é invenção! Duas semanas depois ela foi despedida, mas para mim, fica todo o respeito pela coragem e pela audácia.

A carteira de motorista

Quando você completa 18 anos, quer três coisas na vida: entrar na balada, comprar cerveja sem burlar a lei e tirar a carteira de motorista. Então, em meados dos anos 2000, atingi a maioridade e fiquei esperando dos meus pais a grana da habilitação. O que eu recebi? N-A-D-A. Nem ajuda de custo. Porém, sou leonino e me vinguei – veja como mais adiante.

IMG_8283
Olha esse cabelo!!!?!?

Após superar a decepção, juntei o dinheiro, me matriculei na autoescola, fiz a parte teórica e fui para a primeira aula prática. A minha felicidade era tanta que acabou igual barra de chocolate. Em 5 minutos, fui contornar a rotatória, subi na guia e arranhei a lataria. Na quinta aula, deixei o carro morrer na rampa de frente e ele desceu. Numa avenida movimentada. Com vários veículos atrás. Quase bati, mas o meu instrutor puxou o freio de mão na hora. Acidentes acontecem, não é mesmo?

Depois de 15 aulas práticas, 4 extras, parti para a prova.

Coitado de mim. O resultado foi uma reprovação na rampa de frente. Como era bem cedo, não tinham carros na rua, mas havia um caminhão estacionado e eu quase deixei os veículos rasparem. Mas deu tudo certo. Bem, quase tudo!

Com força na peruca e no cabelo que ainda me restava, fiz 2 aulas extras pagas pelo meu pai (início da vingança) e parti para a prova. Muitos não admitem, mas quase todos os meus amigos só passaram na segunda tentativa. Mas eu, que aprendi desde moleque a não ser igual a todo mundo, reprovei na rampa de ré. Pelo menos foi diferente dessa vez.

Terceira prova. Mais duas aulas extras (pagas por quem? Sim, pelo meu pai) e nada. Dessa vez eu não saí nem da baliza e derrubei o cone/poste/vassoura que você usa para marcar a entrada e a saída. Desisti e não quis mais tentar.

Passado quase 9 meses, recebi uma ligação da autoescola informando que tinha apenas 1 mês para realizar a prova, senão o meu contrato caducaria e eu teria que começar tudo do zero. O peso da grana investida doeu e decidi enfrentar esse medo. Tomei maracujina, paguei algumas aulas-extras (dividi com o meu pai o pacote de aulas, olha só que bonzinho) e fui.

Parei na baliza. De novo!

Prestes a me jogar na Dutra, os meus pais discursaram sobre persistência ou algo assim e pagaram algumas outras aulinhas já que alguns amigos, que me ofereceram ajuda, desistiram com medo quando eu perguntava qual era o acelerador e qual era o freio, hahaha.

Motivado e na companhia da minha mãe, fui para a prova. Baliza, check. Rampa de frente, check. Rampa de ré, check. Carteira de habilitação nas mãos após 5 tentativas, check, check, check.

Quantas vezes eu a usei? Nenhuma porque não sou obrigado a passar por situações de constrangimento na vida.

Festa da firma

A festa da firma é um dos melhores momentos do ano para o proletariado brasileiro. É nela que você descobre as verdadeiras facetas de cada um. Ou é quando o seu lado mais idiota e tosco se amplifica. Talvez seja melhor amplificar do que as pessoas descobrirem que o seu jeitinho recatado é apenas no ambiente de trabalho. Porque sim: toda festa da firma rola o despirocamento geral do ser humano que passa o ano todo na labuta.

Eu tenho experiências ótimas nas festas de todas as agências em que participei. Claro que nas primeiras só observava o povo colocando as manguinhas de fora. Depois fui eu, claro. Na verdade eu não coloquei as manguinhas, eu praticamente arranquei as mangas, a gola, os botões da camisa florida e quase fiquei pelado. Mas isso eu conto lá embaixo 😉

 

Acampamento_Paiol_Grande_061213_261
Eu sempre puxo as pessoas para dançaram É o tchan

Lembro que uma das primeiras festas de fim de ano que fui eu era novo na agência. Foi numa casa muito sofisticada em um bairro nobre, com piscina, orquidário, 20 banheiros, 40 quartos etc. Chiquérrima! A anfitriã era uma senhora elegante do administrativo, que falava bonito e sempre contava suas histórias de quando morou na África. Na ocasião, eu estava tendo contato pela segunda ou terceira vez com the boss, pois ela morava fora a maior parte do tempo.

Pensa numa mulher séria, elegante e tradicional? Apesar de todo o ar soberano, ela era uma pessoa normal. Que veio de ônibus. Por 3 horas. Com um trânsito cagado. Na véspera do Natal. Com o ar condicionado quebrado. Muito calor. Ela nunca se atrasou na vida. Até essa ocasião. Óbvio que ela chegou muito puta e começou a narrar a história acompanhada de vinho branco.

Ela mal bebia.

Ela não tinha comido nada antes.

Então, realizamos o amigo secreto e ela não largava o vinho branco. Do nada, ela sumiu. Foi ao banheiro e de lá não saiu porque passou muito mal. Tivemos que ir embora porque senão ela não sairia de lá. Foi bizarro e desde então não tive mais medo dela. Porque eu tinha!

Também teve aquela vez que eu estava desanimado e disse ao meu namorado que iria ficar um tempinho na festa e depois iria embora. Tinha caipirinha free e o abacaxi estava muito bom. Tomei 7 ou 8 copos. Acabou e eu parti para a cerveja. Aí, fiz amizade com o DJ porque eu sou desses que adora fazer amizades em festas e comecei a pedir os clássicos do É o tchan e do Rouge.

Cheguei à minha casa às 10 da noite, mas na verdade eram 2 da manhã e se riscassem um fósforo no quarto, eu pegava fogo.

Um adendo: nesta mesma festa, cuja temática era verão, uma mocinha se empolgou com os picolés e simulou diversas vezes isso mesmo que você está imaginando. Além disso, antes do evento, ela testou as cadeiras de praia no colo de um mocinho.

Dois adendos: Também teve o rapaz que decidiu sentar no cooler de isopor e isso com certeza deu catástrofe e enchente de gelo na pista!

adore-party
PARTY BITCHES!

Outro momento marcante foi quando decidiram realizar a festa da firma fora de São Paulo. Meus amigos, pelo bem da integridade humana, não façam isso.

No esquema excursão, fomos de ônibus para um acampamento na Serra da Mantiqueira. Lá, ficamos parte do dia na piscina sem bebida graças a deus, depois participamos de umas dinâmicas e brincadeiras. À noite, fomos para um combo comida boa + comida frita boa + comida frita e salpicada com queijo dos deuses boa + cervejinha. E vodca. E mais cerveja, mais vodca e mais uns lances aí!

Eu fiquei descalço. Depois abri um botão da camisa. Logo, decidi que iria apertar a bunda de um amigo. Depois, apertei a bunda de uma amiga. Aí, me desafiaram a apertar a bunda do estagiário mala. E quando percebi estava apertando a bunda de todo mundo.

Na época, o auge da música era Show das Poderosas, da Queen Anitta. Começou a tocar na pista e me esqueci do aperta-aperta. Embalado pela música, fiz uns passinhos e apertei a bunda de nada mais nada menos que da diretora da agência, que não sabia o meu nome até aquele momento.

Perdi a compostura e se não fosse o bom coração dessa senhora eu também perderia o emprego.

giphy
Dance, dance, dance!

Morri meia hora depois numa cama quentinha. Mas as pessoas não. Rolou desde marmanjão engatinhando até gente que nunca havia bebido na vida gorfando o quarto todo. Foi épico!

No dia seguinte, no café, de óculos escuros e fingindo que não conhecia ninguém, ouvi da senhora dona da agência: “Se divertiu ontem hein, Persan?”

Nunca mais nos falamos.