“Ficar é sempre muito mais difícil que ir”

Já ouvi essa frase algumas vezes, mas nunca havia vivenciado isso durante a minha viagem porque era sempre eu que estava partindo. Do Brasil, sai eufórico e cheio de histórias pré-construídas dentro da minha cachola para viver. Não quis dedicar muito tempo para pensar nos amigos, no namorado, na família, nos cachorros, no gato e nas histórias que ficavam. Afinal de contas, estava pronto para seguir o meu sonho. Até soa meio egoísta, mas eu estava tão feliz por finalmente consegui ir que não me importei muito.

Rolou algumas lágrimas? Um montão. Mas as memórias dos meus últimos dias em São Paulo, Taubaté, Pinda, Tremembé e adjacências são de sorrisos, gargalhadas e abraços cheios de amor e calor. Me senti muito feliz e hashtag gratidão por estar cercado de pessoas incríveis, que segui o meu caminho com muito mais confiança.

Do Uruguai, sai leve e com uma plenitude que jamais havia vivenciado. Eu, que desenvolvi uma gastrite nervosa por causa da ansiedade, estava finalmente desconectado do futuro e ligado somente ao hoje, ao agora. Bem difícil essa tarefa, mas a vida na horta orgânica e no campo me fizeram esse bem.

Em Buenos Aires, eu fiquei. E ficar está sendo muito difícil. Elas, as meninas do meu coração, chegaram de forma despretensiosa, sem muita programação e em um momento em que a saudade havia finalmente feito morada. Foi tão bom recebê-las com os braços abertos no meio da rua, entre malas, caixas de cerveja e sorrisos. Soltei na gravidade os cascos de garrafas e a dor de estar longe por tanto tempo enquanto elas se soltavam das maletas e da distância.

Abraços demorados.

A sensação era de levitação. Meus pés saíram do chão e, ao mesmo tempo, me sentia seguro e em terra firme. Meus alicerces de amizade estavam perto de mim novamente.

Os dias seguiram correndo. Cada olhada no relógio, uma, duas horas a menos. E eu tratei de viver as horas com mais dedicação. Não queria dormir. Não queria trabalhar. Não queria que o tempo passasse. Corremos contra o tempo para os momentos serem inesquecíveis. E foram, claro, porque vocês estavam comigo.

E chegou a hora de dizer até logo. Por sorte ou por azar (ainda não sei), vocês foram partindo uma a uma. A primeira despedida foi de supetão. Não deu tempo de abraços longos porque não queríamos ter tempo para chorar. Você entrou no táxi em direção ao hostel e eu fiquei. Em 5 minutos, peguei um táxi em direção a outro abraço forte. Cheguei no momento em que você partiu. Lembro que uma tristeza muito grande invadiu os meus olhos. Disfarcei.

À noite, outra despedida. De supetão novamente porque a vida tem dessas. Chamei seu uber, você foi se despedir dos outros e eu te esperei em frente ao carro, com um abraço caloroso e a certeza de que em poucos dias a nossa amizade cresceu. E como cresceu! Dessa vez, tinha um acúmulo de lágrimas. Disfarcei de novo.

Mais um dia e eu aguentei firme. Não desabei. Trabalhei à noite toda e te esperei para o café da manhã. Meu cansaço brigou com a vontade de estar mais uns minutos com você. Te abracei com calma e leveza porque você é assim: um oceano sem ondas quando está ao meu lado, um tornado quando te tiram do sério. Foi tão bom te ver de novo que quase peguei o primeiro barco em sua direção.

Disfarcei tanto, mas tanto, que chorei quando menos percebi. No banho. Sozinho. E cantando qualquer canção que a gente canta quando está no chuveiro.

Meu coração se acalmou e concluiu que realmente é muito mais difícil para quem fica. Porém, aquele que fica aqui sabe que em breve volta para lá, onde é o seu lugar: dentro de um abraço apertado ❤

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Carta aberta ao grande amor da minha vida

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Uma das coisas que mais admiro em você é a sua capacidade de ir. Confesso que ainda me assusto com o seu jeito desprendido de levar a vida, mas acho lindo ver você dançando conforme a música. Se a batida é forte, você se assusta, mas aprende a dançar; se é lenta, você se incomoda porque precisa de emoção. Sagitarianos, tão previsíveis com o modo autentico de seguir em frente, sem amarras, sem malas, sem olhar para trás. Sem medo de ser feliz. Só não aceita ficar parado. Fixo. Estático. De resto, o sagitariano encara tudo, até tapa na cara.

O que mais admiro em você é a sequência de tropeços vividos com sorrisos no rosto. Rir de si mesmo talvez nunca tenha sido um problema. Você aprendeu rápido a viver o lado chato da vida adulta. Encarou cada problema de frente. Encarou até mesmo estirado no chão os tombos caídos. Gargalhou e não deixou-se abalar.

Minto.

Se abalou muito em cada situação desagradável que viveu. Sofreu porque não é dessas que vive no raso. Cada encontro, um mergulho de cabeça. Cada onda despercebida, um desencontro. Já se afogou em tanto sentimento depositado nas mãos dos outros. Sim, já se afogou até na forma literal. Quase te perdi. Sobreviveu: ao mar revolto de água salgada e ao mar da vida, que na forma figurada traz várias marés ao longo do dia.

O que mais admiro em você é essa intensidade aplicada a tudo na vida. Nada tem que ser sem importância. Tudo precisa de bastante sentimento. Te admiro tanto pela força, pela garra, pelo amor e por desistir… Desistir é uma coisa tão difícil de fazer. Tem quem diga que isso é para os fracos. Eu discordo porque sou alguém que tem medo de abrir mão das coisas que me fazem mal. Não tenho coragem, mas aprendo com você a, pelo menos, tentar desistir daquilo que não faz sentido.

O que mais admiro em você é a sua capacidade de voltar.